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11/10/2017 | 12:45:44

Ministério da Agricultura suspense importação de leite do Uruguai



Foi com alívio que os produtores gaúchos de leite receberam, nesta terça-feira (10), uma notícia aguardada desde o primeiro semestre deste ano. Em audiência com representantes de empresas, agricultores e com integrantes da Frente Parlamentar do Agronegócio em Brasília, o Ministério da Agricultura anunciou a suspensão da importação de leite do Uruguai. 


Mais barato, o leite uruguaio, de acordo com ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, tem contribuído para a crise no setor e a situação dos produtores brasileiros está ficando insuportável, em função dos custos que inviabilizam competir com o produto do país vizinho.


A suspensão vale até que seja concluída a rastreabilidade do produto e o Uruguai comprove que 100% do volume exportado ao Brasil é produzido no país. “Setores organizados, produtores, sindicatos, associações, federações, todos reclamam muito da quantidade de leite importado e alegam que a produção deles seria insuficiente para exportar a quantidade que tem chegado ao Brasil”, afirmou.


Os produtores brasileiros reclamam que o leite uruguaio entra no mercado brasileiro a preços menores que o produto interno. Com isso, acaba pressionando para baixo o preço pago pelo litro produzido, mesmo quando chega em menores quantidades, o que tem acontecido neste ano em relação a 2016.


O ingresso do leite uruguaio, mais barato, levou alguns laticínios locais a acumular estoques, já que o produto é recolhido diariamente e precisa ser processado. Isso levou a indústria a retirar do preço pago ao produtor até R$ 0,40 por litro desde o ano passado. As entradas só começaram a cair drasticamente a partir de julho de 2017 (ver gráfico) justamente em razão da superestocagem da indústria. De acordo com a Emater, 19 mil produtores gaúchos deixaram de produzir no Estado apenas nos últimos dois anos, e a indústria vinha ameaçando fechar portas e demitir caso nada fosse feito. 


De acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o Brasil foi destino de 86% do leite uruguaio em pó desnatado e 72% do integral, em 2017. Nos primeiros seis meses deste ano, já foram importadas 41.811 toneladas de leite em pó do país. A tarifa zero em vigor e a ausência de uma negociação de cota, desagradam produtores nacionais.


A suspensão, de acordo com Maggi, valerá até que seja concluída a rastreabilidade do produto e só será revertida se conseguirem comprovar que 100% do volume exportado ao país são produzidos no Uruguai.


Além da suspensão das licenças para importação do leite uruguaio, o setor ainda trabalha junto ao governo federal para a tomada de duas medidas. A primeira, tratada em reunião ainda na tarde desta terça-feira com o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, é a liberação de recursos orçamentários para a compra de leite para uso nas políticas sociais do governo, como merenda escolar. Isso ajudaria a enxugar o volume do produto no mercado e, consequentemente, melhorar os preços pagos aos produtores.


A segunda ação, em negociação direta com a Casa Civil, é a concessão de juros subsidiados para as cooperativas de leite formarem estoques de passagem. Segundo o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), para que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) consiga comprar e estocar o volume extra de leite do mercado são necessários R$ 700 milhões. Em subsídios para as cooperativas, seria preciso aplicar apenas R$ 15 milhões. “É muito mais inteligente para que elas tenham condições de fazer estocagem e equilibrar o preço. Essas três medidas colocam o mercado de leite rigorosamente nos eixos outra vez”, diz o parlamentar.


 

Fonte: Redação
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