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com ALEXANDRE DE SOUZA

Política

Bolsonaro exonera diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo

  • 24/04/2020 - 11:09
  • Atualizado 24/04/2020 - 15:17
Bolsonaro exonera diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo
Reprodução/Internet

O presidente Jair Bolsonaro exonerou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo. O decreto que oficializa a mudança foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (24). No documento, consta que a exoneração ocorreu "a pedido". Outra pessoa ainda não foi nomeada por Bolsonaro para substituir Valeixo. Tradicionalmente, a escolha é feita pelo ministro da Justiça.

Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e Anderson Torres, atual secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, são os mais cotados. Ambos são delegados da Polícia Federal. Corre por fora o nome do diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional, Fabrício Bordignon, também delegado da PF, que seria o favorito de Moro.

De acordo com informações repassadas por interlocutores do ministro a jornais, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não teria sido avisado de que a exoneração seria efetivada nesta sexta. Por isso, o próprio ministro não assina formalmente a decisão, mesmo que seu nome conste no decreto.

A saída oficial de Valeixo aumenta a tensão sobre uma possível saída do ex-juiz da Lava Jato do governo. Na quinta-feira (23), o ministro teria ameaçado pedir demissão ao ser informado de que haveria uma troca de comando na PF e que o novo diretor seria escolhido por Bolsonaro. Valeixo, que comandou a Superintendência da PF no Paraná durante a Operação Lava Jato, era amigo pessoal e homem de confiança de Moro, mas já havia demonstrado ao ministro o desejo de deixar o posto.

O ministro e o presidente, assim, estariam divergindo quanto a quem deveria ocupar o comando da PF a partir de agora. A assessoria do ex-juiz negou que Moro tivesse pedido demissão. Nos bastidores, a informação é que o ministro teria condicionado sua permanência à possibilidade de escolher o novo chefe da Polícia Federal e quer carta branca para isso.

Ministros da ala militar, como o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, entraram em cena para tentar apagar o incêndio, mas o anúncio da saída de Valeixo sem a indicação de outro nome para ocupar o posto complica bastante a situação.

Divergências quanto ao comando da Polícia Federal são mais antigas
Apesar de a PF estar subordinada a Moro, Bolsonaro há tempos vem querendo ditar, ele mesmo, os rumos da instituição. Em agosto do ano passado, o presidente anunciou a saída do então Superintendente na PF do Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, e tentou emplacar o nome de Alexandre Silva Saraiva para o posto. A interferência gerou ruídos entre integrantes da corporação e desagradou o próprio ministro Moro.

A PF reagiu negativamente. Informou que a troca no Rio já estava sendo discutida há tempos, que a saída de Saadi nada tinha a ver com questões de produtividade e que seu substituto, na verdade, seria Carlos Henrique Oliveira Sousa, superintendente da PF em Pernambuco – que foi quem acabou assumindo.

Moro não se manifestou publicamente. Bolsonaro continuou a dar declarações e chegou a dizer que se não podia trocar o superintendente do Rio de Janeiro, trocaria o diretor-geral da PF. Em meio à tentativa do presidente de intervir na Polícia Federal, a corporação deflagrou a operação Turbulência, que mirou o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). A ação colocou o presidente em uma situação delicada e fortaleceu Moro e Valeixo.

Fonte: Gazeta do Povo