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com ELISIANE LUDWIG

Agricultura

Economista-chefe da Farsul questiona atuação da Conab em entrevista à Colonial

  • 19/10/2020 - 10:38
  • Atualizado 19/10/2020 - 12:34
Economista-chefe da Farsul questiona atuação da Conab em entrevista à Colonial
Reprodução/Internet

Depois de retirar em setembro o imposto de importação do arroz, o governo federal decidiu zerar temporariamente a tarifa para a soja e o milho comprados fora do âmbito do Mercosul. A decisão foi tomada na sexta-feira pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), a pedido dos ministérios da Agricultura (sobre a soja) e da Economia (sobre o milho). A suspensão da alíquota valerá até 15 de janeiro para a soja (grão, farelo e óleo) e até 31 de março de 2021 para o milho.

Segundo o Mapa, o estabelecimento destas datas não atrapalhará a comercialização destes grãos na próxima safra. O diretor de Comercialização e Abastecimento do ministério, Sílvio Farnese, afirma que o objetivo da medida é promover um ajuste entre a oferta e demanda no período pré-colheita. Apesar de safras recordes no país, a demanda interna e externa por milho e soja reduziu drasticamente os estoques destes grãos.

No caso da soja, de janeiro a setembro deste ano, o Brasil exportou 79,1 milhões de toneladas, 30% a mais do que no mesmo período de 2019, puxada pela valorização do dólar.

O economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Antônio da Luz, acredita a retirada da tarifa será pouco eficaz, ao observar que há escassez dos grãos no mundo todo. Lembra que as últimas colheitas de soja e milho dos Estados Unidos foram prejudicadas pelo excesso de chuva no plantio e aquele país chegou a colher 24 milhões de toneladas a menos de soja no último ciclo.

Ele também entende que o momento da suspensão das tec também é ruim, pois em seis meses depois da colheita, que logo inicia, os produtores brasileiros estarão colhendo os grãos da safra 2020/2021.

Em entrevista à Rádio Colonial nesta manhã, Da Luz também questionou o papel da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que tem 4 mil funcionários e orçamento de R$ 2,4 bilhões. Sem os gastos para manter a companhia, seria possível, segundo o economista, direcionar recursos para, no mínimo, triplicar o seguro rural. Nos últimos anos, o orçamento do seguro passou de R$ 300 milhões para R$ 1 bilhão, mas ainda é insuficiente para atender a demanda do agronegócio brasileiro.

- Como pode haver escassez de grãos, se nós temos a Conab, que tem 4 mil funcionários e orçamento anual de R$ 2,4 bilhões, só para cuidar disso? Para se ter ideia, a cada um real gasto com seguro rural, se gasta dois pontos quatro com a Conab. E aí, cadê a garantia de abastecimento? – pergunta o economista.

Fonte: Redação