Ouça agora

ENCONTRO COM OS SERRANOS

com ENCONTRO COM OS SERRANOS

Política

Assembleia propõe mutirão de cirurgias com recursos das privatizações

Assembleia propõe mutirão de cirurgias com recursos das privatizações
Joel Vargas/Assembleia Legislativa do RS
  • 02/08/2021 - 20:27

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gabriel Souza (MDB), anunciou, na tarde desta segunda-feira (02/08), uma iniciativa para reduzir as filas de espera por cirurgias no Rio Grande do Sul. O comunicado ocorreu durante o evento de apresentação dos resultados de uma pesquisa que mediu as prioridades e expectativas dos gaúchos em relação à saúde, no Salão Júlio de Castilhos. A proposta visa organizar um mutirão para a realização de procedimentos eletivos represados em consequência da pandemia de Covid-19 no estado. Para isso, prevê o custeio dos serviços com recursos financeiros das privatizações de empresas públicas efetuadas pelo Governo do Estado recentemente.

A iniciativa considerou o estudo encomendado pelo Legislativo, em parceria com o Cremers, por meio de termo de cooperação, e realizado pelo Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO) em julho, que identificou a necessidade de atendimento da demanda reprimida de consultas, exames e cirurgias que não foram realizados entre 2020 e 2021.

- O que estamos sugerindo é um programa de mitigação da fila de espera já no segundo semestre deste ano, por meio do repasse de recursos extraordinários das privatizações para os hospitais conforme suas produções - explicou o presidente Gabriel.

Ele informou que já tratou do assunto com o governador Eduardo Leite que, assim como a secretária de saúde Arita Bergmann, foi receptivo à proposição.

Indicadores do Cremers, com base nos registros do Datasus, apontam que entre as cirurgias que mais registraram queda no RS este ano estão as cardiovasculares (-29,6%); do sistema nervoso central e periférico (-29,7%), traumatológicos (-16%), de mama (-34,5%) e oncológicas (-30,9%). “Estes dados corroboram com a nossa pesquisa, que mostra o desejo da população por uma ação enérgica no sentido de reduzir estas filas. Esperamos nos próximos dias avançarmos com a ideia”, complementou o parlamentar.

Principais apontamentos do estudo:
- A pesquisa revelou que 83,2% dos gaúchos utilizam o SUS. Destes, 65,8% avalia positivamente o sistema público de saúde. Já as críticas referem-se, sobretudo, à demora no atendimento – desde o agendamento da consulta até a realização de exames ou cirurgias;
- Em relação à percepção sobre o principal problema da saúde pública no RS – independente da pandemia, os entrevistados citaram a falta de médicos, a falta de investimentos financeiros, a estrutura física (leitos insuficientes), a demanda reprimida, a má gestão dos recursos públicos e a estrutura operacional (falta de equipamentos e medicamentos);
- Durante a pandemia, a percepção sofre algumas mudanças, mas mantém alguns padrões. Entre os problemas apontados no período estão: demora no atendimento, superlotação dos hospitais, demanda reprimida, demora e falta de vacinas contra a Covid-19, má gestão de recursos, aglomerações e falta de fiscalização;
- Quanto à legislação, os entrevistados responderam que deve haver leis para agilizar o atendimento, bem como a realização de mutirões, tornando mais rápida e fácil a marcação de consultas, exames, cirurgias com tempo de espera pré-determinado. Deve contemplar também a contratação de mais médicos e investimentos em tratamento preventivos;
- Da mesma forma, indicam uma lei orçamentária para destinar mais impostos para a área da saúde, com uma maior fiscalização e gestão dos recursos destinados, com mais transparência. O mesmo é dito sobre investimentos na estrutura física da rede pública, com aumento de leitos dos hospitais e ampliação de postos de saúde, inclusive com atendimentos 24h;
- Outra reivindicação dos gaúchos é a separação dos locais de atendimento Covid e não Covid com locais especializados para atendimento permanente dos infectados e também os sequelados.

Fonte: Site da Assembleia Legislativa do RS