Conter a erosão, reter a água da chuva e evitar prejuízos causados por enxurradas motivaram o investimento na construção de terraços agrícolas na Granja Casali, em Campo Novo, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Com 290 hectares cultivados com soja, trigo e milho, a propriedade já se consolida como modelo de sustentabilidade e manejo conservacionista no Estado.
A implantação dos terraços ocorreu entre o final de agosto e início de setembro, antes do plantio do milho. A decisão foi tomada após recorrentes perdas provocadas por chuvas intensas, que carregaram adubo, calcário, sementes e palhada, comprometendo a produtividade e elevando os custos de produção.
"Vinha muita enxurrada, levava tudo embora. O que a gente construía na lavoura, a chuva levava. Então optamos por fazer os terraços para segurar a água na propriedade. Segurando a água, o adubo, o calcário e a semente não vão embora", relata o agricultor Paulo Itamar Venzo. Para ele, além de evitar perdas, o terraceamento garante reserva hídrica no solo, fundamental nos períodos de estiagem. "Quando falta chuva, a planta tem onde buscar água para sobreviver", completa.
De acordo com o extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Fabrício Elias Veit, os terraços funcionam como obstáculos estratégicos no terreno, reduzindo a velocidade da água da chuva, diminuindo o comprimento da rampa e evitando a formação de sulcos, valetas e voçorocas.
"Cada metro linear de terraço pode reter cerca de três mil litros de água. O principal objetivo é que a água que cai na lavoura fique na lavoura, não carregando solo, adubação, calcário ou palhada, e também evitando que essa água cause enchentes em áreas abaixo da propriedade", explica.
Na Granja Casali, foram construídos dez terraços, com aproximadamente 3.400 metros de extensão cada, o que representa um volume expressivo de água que deixa de escorrer morro abaixo e passa a infiltrar no solo, contribuindo para a fertilidade, produtividade e equilíbrio ambiental da área.
O trabalho contou com assistência técnica da Emater/RS-Ascar, responsável pelo planejamento, dimensionamento e marcação dos terraços, além do acompanhamento da execução, realizada com máquinas contratadas. O projeto utilizou critérios modernos, adaptados ao sistema de plantio direto, adotado há mais de 30 anos na região.
O extensionista da Emater/RS-Ascar afirma que com apoio de ferramentas técnicas desenvolvidas com base em estudos da Embrapa, como o Programa Terraço for Windows, os terraços foram dimensionados com maior espaçamento, variando entre 82 e 120 metros, conforme a declividade do terreno. Essa adaptação permite melhor tráfego de máquinas, sem prejuízo às operações agrícolas.
"Os terraços têm cerca de nove metros de largura, o que possibilita a passagem tranquila de plantadeiras, pulverizadores, colheitadeiras com plataforma de até 25 pés e até dos pivôs de irrigação. Nada atrapalha as operações", destaca Fabrício.
Mesmo ainda em fase de acabamento final, o produtor acredita que o investimento se pagará rapidamente. "Do jeito que estava, a enxurrada levava terra, adubo e semente. Isso custa muito mais caro. Acredito que em poucos anos já dá para recuperar tudo", avalia Venzo.
Além da redução de perdas, o terraceamento favorece a infiltração da água, melhora a fertilidade do solo e contribui para o aumento da produtividade, reforçando a importância das práticas conservacionistas como estratégia de adaptação às mudanças climáticas.
A experiência da Granja Casali demonstra que o planejamento técnico aliado à adoção de tecnologias adequadas transforma a conservação do solo em resultado econômico, ambiental e produtivo, servindo de referência para outras propriedades do Rio Grande do Sul.
As informações são da Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar