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STUDIO 94

com JEVERSON MARTINS

Agricultura

Chuvarada pode causar perdas futuras no trigo

  • 08/07/2020 - 20:02
  • Atualizado 09/07/2020 - 11:09
Chuvarada pode causar perdas futuras no trigo
Deise Froelich/Emater
Rádio Colonial FM 94,7 · HAMILTON JARDIM

As intensas precipitações registradas nos últimos dias ameaçam a atual safra de trigo, principal cultura de inverno do Estado. Até junho, com a semeadura do trigo avançando forte, o clima era apontado com um fator benéfico. Veio julho, dois ciclones e muita chuva, alterando significativamente o horizonte em um ano em que a área plantada deverá crescer cerca de 20%, alcançado 760,9 mil hectares, ante 915,7 mil no ano passado.

Na região, por exemplo, a ocorrência de mais de 200 mm de chuva em cidades como Santa Rosa e Ijuí, em uma semana, pode implicar perdas futuras e custos maiores. 

Os maiores danos, no momento, estão na perda de nutrientes já depositados no solo, assim como das plantas que já foram semeadas, carregados pela água em alguns trechos. O clima úmido ainda impõe ao produtor riscos de maior proliferação de pragas e manchas folhares, o que demandar mais custo e cuidados extras. Caso persista a elevada ocorrência de chuva e tempo fechado, o alerta acende para a baixa luminosidade, o que prejudica o desenvolvimento do trigo.

O excesso de chuva implica em lixiviação e erosão do solo, o que leva a perda de nutrientes e dos insumos aplicados, diz Hamilton Jardim, representante da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) para a área do trigo. E com a previsão de mais chuva nos próximos dias, o que impede dar continuidade do plantio em cerca de 20% da área prevista, muitos agricultores precisarão avançar no zoneamento agrícola recomendado para a cultura, que termina na sexta-feira (10. Fora do zoneamento, o risco de perda é maior e já não há cobertura do seguro.

- Além das lavouras já implantadas sofrerem muito, aquelas a serem semeadas precisam de vários dias sem chuva para que possa ter andamento. Algo que vinha normal até a semana passada agora é preocupante. Ainda assim o plantio vai seguir, já que o produtor adquiriu os insumos e agora precisa usá-lo - explica Jardim.

A chuvarada pegou de surpresa os produtores. Até junho as previsões climatológicas previam tempo favorável ao trigo da semeadura à colheita, mas os últimos dias mostraram o contrário. Técnicos da Emater ainda são cautelosos quanto a projetar perdas, mas a produtividade menor é um ameaça real. A adubação que seria feita agora, especialmente com ureia, vai ter que esperar, assim como o controle de plantas daninhas e pragas, que fica mais difícil de monitorar com o solo enxarcado.

- As lavouras em desenvolvimento vegetativo, em decorrência da umidade, têm mais risco de ocorrência de doenças. As condições não são boas porque dificultam a germinação - diz Ronaldo Carbonari, gerente de planejamento da Emater.

Com os trabalhos paralisados, a expectativa é que o tempo seco permita ao produtor retornar ao campo o mais breve possível, seja para avaliar os danos e reforçar a aplicação de insumos perdidas na enxurrada, seja para plantar o que ficou para trás nos últimos dias. José Cláudio Reis, técnico da Emater em Giruá, é um pouco mais otimista.

- Não é alarmante, neste momento. O processo erosivo é o maior dano, mas produtores que trabalharam melhor o solo, mantendo palhada da cultura anterior, tiveram menos prejuízo. E o trigo tem uma capacidade de recuperação muito boa nesta fase - pondera Reis.

Gilmar Vione, assistente técnico regional da Emater de Santa Rosa, também alerta para a perda de nutrientes devido à erosão ou lixiviação do solo,o que pode se refletir em desenvolvimento menor da planta e áreas amareladas na lavoura. Apesar do custo maior para reaplicação de insumos, a perda na produtividade ainda pode ser contida, mas é uma ameaça os lucros futuros. E ainda há projeções apontando para um julho mais chuvoso do que a média, antecipa Vione. Com alta nebulosidade, há baixa luminosidade, que é importante para o trigo.

- Na próxima semana vamos sair a campo e verificar a situação, o que não foi possível até agora justamente pela chuva e as dificuldades de se transitar por estradas de chão - explica Vione.

Fonte: Jornal do Comércio