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Política

PT determina apoio a Juliana Brizola e Edegar Pretto desiste da pré-candidatura ao Piratini

PT determina apoio a Juliana Brizola e Edegar Pretto desiste da pré-candidatura ao Piratini
Foto Debora Beina/Divulgação
  • 09/04/2026 - 20:16
  • Atualizado 09/04/2026 - 20:21

O ex-deputado estadual Edegar Pretto anunciou nesta quinta-feira (09/04) que desistiu de sua pré-candidatura ao governo do Estado para apoiar Juliana Brizola (PDT). A decisão foi informada após reunião com lideranças políticas na sede do PSB estadual, em Porto Alegre. 

— Vamos nos apresentar a partir de agora como uma frente política, e não individualmente. Somos uma frente política e um palanque muito importante, e é o que vamos continuar mobilizando — disse Pretto na coletiva de imprensa.

A direção nacional do PT determinou que o partido apoiasse a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul. A decisão de intervenção inédita na instância gaúcha foi tomada pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE). Em 2026, será a primeira vez na história que o partido não terá candidato próprio a governador no Estado.

— Nosso partido fará o encontro da Executiva amanhã para que façamos um diálogo com a nossa base social. Tínhamos produzido até aqui uma pré candidatura muito mobilizada — disse. — Tem um sentimento na nossa militância que aos poucos teremos que ir superando. Estaremos fazendo uma migração para essa nova direção. No diálogo que fiz com lideranças ontem, compartilhei a necessidade dessa migração porque eu não faria um enfrentamento da decisão da nacional - explicou Pretto.

A intervenção contrariou a posição defendida por Edegar e pelos ex-governadores petistas Tarso Genro (2011-2015) e Olívio Dutra (1999-2003), que se manifestaram contra a escolha de Juliana Brizola para encabeçar o palanque durante uma plenária do partido na segunda-feira.

Os petistas gaúchos defenderam Edegar como “a melhor opção para a construção da vitória” nas eleições e argumentam que a decisão de apoiá-lo foi tomada de maneira ampla e democrática, em convenção realizada ainda em novembro do ano passado, com o endosso dos partidos aliados PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB.

Em 2022, quando concorreu a governador, Pretto quase tirou Eduardo Leite da corrida no segundo turno. A diferença entre eles foi de apenas 2.441 votos. Já Juliana Brizola concorreu a prefeita de Porto Alegre em 2024, quando ficou em terceiro lugar com 136.783 votos.

O Grupo de Trabalho Eleitoral, reunido em 7 de abril de 2026, no uso de suas atribuições políticas, resolve:

Da análise do cenário internacional e nacional: Reconhecer que o cenário político atual é marcado pela ascensão do fascismo em escala global, expressa pela ofensiva da ultradireita nos principais países do mundo democrático, bem como por manifestações concretas de violência e intervenção internacional, notadamente em regiões como a América Latina e o Oriente Médio.

Da caracterização do cenário brasileiro: Afirmar que, no Brasil, esse fenômeno se manifesta na organização de um campo político liderado pela ultradireita, de orientação fascista, que busca impor uma derrota histórica às forças democráticas, com impactos diretos na correlação de forças na América do Sul, na América Latina e no cenário internacional. E destruição do projeto de um Brasil justo, democrático e soberano. A vitória da direita fascista no Brasil ainda significa o enfraquecimento das instituições que sustentam a nossa democracia, abrindo a possibilidade de um ciclo autoritário no país.

Da centralidade da disputa nacional: Definir que a reeleição do presidente Lula constitui eixo central da tática política no próximo período, sendo fundamental para o reequilíbrio da correlação de forças no continente e para a afirmação internacional das forças democráticas no enfrentamento ao fascismo. Além da consolidação do nosso projeto de futuro: desenvolvimento industrial, tecnológico, com igualdade de oportunidades e distribuição de riquezas.

Da estratégia de construção política: Estabelecer que a derrota da ultradireita no Brasil pressupõe a construção de um amplo campo democrático, liderado por uma aliança de centro-esquerda, com capacidade de mobilização da sociedade brasileira, orientada à defesa de um projeto nacional de desenvolvimento baseado na produção e na distribuição de riquezas.

Da articulação regional e internacional: Reconhecer que a reeleição do presidente Lula terá papel estratégico nas disputas políticas na América do Sul, na América Latina e no cenário global, contribuindo para o fortalecimento das forças democráticas.

Da tática política no Rio Grande do Sul: Determinar que a tática política no Estado do Rio Grande do Sul deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura, com encaminhamentos coerentes e responsáveis, dando consequência a análise com ações que colaborarem com essa imposição histórica. Não há nada mais importante que a reeleição do Presidente Lula.

Das alianças políticas: Reafirmar a necessidade de construção de aliança com o Partido Democrático Trabalhista (PDT), considerado força fundamental na consolidação do campo democrático brasileiro. Essa construção deverá agregar os partidos de centroesquerda que historicamente são nossos aliados.

Da orientação eleitoral: Definir a construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no Estado do Rio Grande do Sul. Entendemos que o companheiro Edegar Pretto é a liderança com maior legitimidade para liderar essa construção.