Horário sem programação!

Agricultura

Planejamento e manejo sustentável tornam florestas comerciais opção viável no meio rural

Planejamento e manejo sustentável tornam florestas comerciais opção viável no meio rural
Foto: Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação
  • 12/04/2026 - 21:03
  • Atualizado 12/04/2026 - 21:03

Você sabe o que são florestas comerciais? Cada vez mais presentes no campo, elas vêm se consolidando como uma alternativa econômica viável para a agricultura familiar no Rio Grande do Sul, especialmente para produtores de gado de leite e de corte, além de agricultores tradicionais, como plantadores de soja. Planejadas e manejadas com foco produtivo, essas áreas reflorestadas têm ciclo de vida definido e são destinadas à geração de matéria-prima para fins econômicos, sempre com base no manejo sustentável.

Além disso, o plantio de árvores pode ocorrer em áreas da propriedade menos aptas para lavouras tradicionais, como terrenos inclinados ou com solos de menor fertilidade, ampliando o aproveitamento produtivo da terra sem competir diretamente com culturas como milho e feijão.

Um dos fatores que impulsionam a adoção desse sistema é o trabalho da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Ater), que funciona como uma verdadeira ponte entre o conhecimento científico e o produtor. Como o cultivo de árvores exige planejamento de longo prazo, o acompanhamento técnico é fundamental para evitar prejuízos ao agricultor.

Nesse contexto, a Emater/RS-Ascar desempenha papel estratégico ao orientar agricultores familiares em todas as etapas da implantação das florestas comerciais. O trabalho inclui desde recomendações sobre espaçamento adequado das mudas, controle de formigas e adubação, até orientações sobre regularização ambiental, legislação vigente e gestão da propriedade. A Instituição também reforça a importância da diversificação das culturas, da segurança alimentar e da sucessão familiar no meio rural.

Segundo o extensionista rural Sérgio Morgensten, do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Novo Barreiro, no Norte do Estado, o sistema de integração florestas-pecuária (silvipastoril) por meio de florestas comerciais também contribui para o bem-estar animal. "É uma alternativa para o produtor trabalhar com sombreamento para o gado de leite e de corte. Além disso, representa uma importante fonte de geração de renda", explica. Morgensten destaca que o pinus, por exemplo, possui múltiplas finalidades, podendo ser utilizado na produção de móveis, pallets, caixas, palanques e até como fonte de energia e combustível.

A Instituição participa atualmente, dentre outras iniciativas, do projeto Integra RS - uma parceria da Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta), Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Embrapa e empresas da cadeia produtiva da madeira. Conforme o extensionista rural e coordenador da área de silvicultura e sistemas agroflorestais da Emater/RS-Ascar, Antonio Carlos Leite de Borba, o objetivo é implementar capacitações de técnicos e agricultores, estabelecer unidades de referência em florestas plantadas e integração floresta e pecuária (leite e corte), nas diferentes regionais da Instituição, como forma de apresentar alternativas viáveis e sustentáveis de manejo e uso da terra, incorporando o componente florestal nos sistemas de produção característicos das diferentes regiões do Estado.

Eucalipto, pinus e acácia-negra lideram florestas comerciais no RS

No Estado, as espécies mais cultivadas em florestas comerciais são o eucalipto, o pinus e a acácia-negra. O eucalipto concentra-se principalmente na Metade Sul e na região da Costa Doce, sendo utilizado na produção de celulose, papel e energia. Já o pinus é mais comum na Serra Gaúcha e no Litoral Médio, com uso predominante em serrarias, fabricação de móveis e extração de resina. A acácia-negra, por sua vez, tem forte presença no Vale do Caí e na Região Sul, sendo destinada majoritariamente à extração de tanino para a indústria do couro e à produção de cavacos para exportação.

Outra alternativa que vem ganhando espaço é o fomento florestal. Por meio desse sistema, o agricultor familiar recebe mudas de alta qualidade e assistência técnica e, ao final do ciclo produtivo, comercializa a madeira a preços de mercado, garantindo maior segurança econômica ao investimento.

Diferentemente das florestas nativas, as florestas comerciais são implantadas com planejamento e objetivos bem definidos. São plantadas, cuidadas e colhidas de forma controlada, conciliando produção, renda e sustentabilidade.