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com ELISIANE LUDWIG

Agricultura

Expectativa de aumento da área impulsiona final da semeadura da canola

Expectativa de aumento da área impulsiona final da semeadura da canola
Foto: Juliano Porsch, extensionista da Emater/RS-Ascar em Miraguaí
  • 28/05/2026 - 21:09

A semeadura da canola segue sendo realizada em todas as regiões produtoras do Rio Grande do Sul. Favorecida pelas condições de tempo seco e pela adequada trafegabilidade nas lavouras, a operação se aproxima da conclusão em algumas áreas, embora a persistência de baixa umidade no solo tenha desacelerado o ritmo da implantação e condicionado a emergência das plantas.

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (28/05), as lavouras de canola já estabelecidas se encontram em desenvolvimento vegetativo inicial. A tendência é de grande expansão de área de cultivo, impulsionada por alternativas economicamente mais atrativas e pela diversificação dos sistemas de produção de inverno.

A área a ser cultivada com canola no Estado segue em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o IBGE.

Na Fronteira Oeste, as maiores extensões de cultivo projetadas estão em Maçambará e São Borja, com previsão de 12.268 e 10.000 hectares respectivamente. Em razão da insuficiente umidade do solo após longa sequência de dias sem precipitação, parte das áreas ainda será implantada fora da melhor janela de semeadura, que foi encerrada no último dia 20. Na Campanha, há previsão de cultivo apenas em Lavras do Sul.

Na região de Santa Rosa, grande parte das áreas destinadas à oleaginosa foi semeada e apresenta emergência razoável. Contudo, a irregular distribuição das precipitações nas últimas semanas resultou em emergência desuniforme, em especial em áreas com menor retenção de umidade. Essa condição tende a provocar desuniformidade no desenvolvimento e na maturação das plantas, com potencial impacto negativo sobre a qualidade dos grãos e aumento das perdas durante a colheita mecanizada.

Na região de Soledade, a semeadura da canola se encontra em fase final de execução. A área projetada para cultivo é de aproximados 9.000 hectares.

Trigo 

A semeadura do trigo está em fase inicial, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para os principais materiais utilizados no Estado. As condições de tempo seco favoreceram as operações de manejo de resteva, dessecação e preparo das áreas, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. No entanto, em parte das regiões produtoras, a baixa umidade do solo limitou o estabelecimento das primeiras áreas semeadas, o que condicionou os produtores a aguardarem precipitações mais regulares para assegurar condições adequadas de germinação e emergência.

O cenário do trigo para a safra 2026 sinaliza redução expressiva da área cultivada, em relação ao ciclo anterior, devido à combinação de fatores, como elevados custos de produção, baixa atratividade econômica do cereal e aumento da percepção de risco produtivo, associado à atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera. Contudo, a semeadura é antecipada em parte de áreas não vinculadas a financiamentos ou cobertura securitária, como estratégia para posicionar as fases de florescimento e de enchimento de grãos antes da intensificação das precipitações primaveris. A estimativa de área a ser cultivada com trigo na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.

Aveia-branca 

A semeadura avançou nas principais regiões produtoras, favorecida pelas condições adequadas de solo e pelo predomínio de tempo seco. As primeiras lavouras implantadas apresentam estabelecimento, estande de plantas e desenvolvimento vegetativo satisfatórios, além de baixa incidência de pragas e doenças. Entretanto, observa-se maior cautela dos produtores quanto ao nível de investimento tecnológico empregado na cultura, em razão da elevação dos custos de fertilizantes e demais insumos. A cultura apresenta tendência de manutenção ou pequena elevação da área cultivada no Estado em relação à safra anterior.

Em algumas regiões, a expectativa de ampliação da área cultivada com aveia-branca está vinculada à demanda para alimentação animal e a sistemas de integração lavoura-pecuária, os quais mantêm parte das áreas com potencial uso alternativo para a cobertura de solo em caso de condições climáticas desfavoráveis. A estimativa de área cultivada para 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra de 2025, o Estado cultivou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 kg/ha e produção total de 935.664 toneladas, conforme dados do IBGE.

Cevada 

A cultura apresenta perspectiva de redução significativa de área cultivada no Estado para a Safra 2026, estimada em mais de 30% em relação ao ciclo anterior. Essa retração decorre do aumento da percepção de risco climático de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera, mesmo com a manutenção de oferta de contratos vinculados à indústria cervejeira. A área cultivada em 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha. As áreas já implantadas apresentam estabelecimento inicial e desenvolvimento vegetativo adequados.