Ouça agora

EXPRESSO 94

com ELISIANE LUDWIG

Agricultura

Diversidade na olericultura mantém produção durante todo ano no RS

Diversidade na olericultura mantém produção durante todo ano no RS
  • 14/05/2026 - 12:46

A Olericultura no Rio Grande do Sul demonstra a força de um segmento que combina diversidade produtiva, avanço tecnológico e adaptação climática. Presente na maioria dos municípios gaúchos, a olericultura ocupa um espaço estratégico no abastecimento alimentar e na geração de renda de milhares de famílias. Mais do que garantir alimentos frescos à população, a Extensão Rural e Social vem incorporando novas técnicas de manejo, como o uso de bioinsumos e a ampliação da produção de olerícolas em ambientes protegidos, como estufas, telados ou túneis baixos, para enfrentar os desafios climáticos e assegurar oferta contínua no mercado.

De acordo com o extensionista rural e coordenador técnico estadual de Olericultura da Emater/RS-Ascar, Gervásio Paulus, o universo das olerícolas é amplo e contempla dezenas de espécies cultivadas de forma comercial no RS. Segundo ele, fazem parte do grupo dos hortigranjeiros e englobam diferentes categorias de alimentos, desde folhosas até raízes, tubérculos e legumes. "Nós temos mais de 50 espécies comerciais no Estado. São folhosas, raízes, tubérculos, legumes e culturas como cenoura, beterraba, alho, cebola, tomate, couve, brócolis, entre tantas outras", cita.

A diversidade produtiva permite que haja cultivo ao longo de todo o ano, contrariando a ideia de que a produção ocorre apenas em determinadas estações. Paulus ressalta que existem espécies adaptadas ao inverno e outras mais adequadas ao verão, além daquelas que conseguem ser cultivadas de forma contínua por meio de seleção de variedades mais adaptadas e técnicas específicas de manejo. "Hoje nós temos tecnologias que permitem produzir fora da época principal de determinada espécie. Isso possibilita ao agricultor agregar valor ao produto e ampliar o período de comercialização", afirma.

Entre as principais ferramentas utilizadas pelos produtores está o cultivo protegido, especialmente em estufas. O sistema vem crescendo de forma significativa nos últimos anos e permite maior controle das condições ambientais, como temperatura, além do manejo da água via irrigação. Segundo o extensionista, o ambiente protegido reduz impactos da falta e do excesso de chuvas e temperaturas baixas extremas, fatores que influenciam a produtividade e a qualidade das hortaliças. Culturas folhosas como alface, rúcula, almeirão e radicci são algumas das que mais se beneficiam desse modelo de proteção.

Apesar disso, nem todas as espécies apresentam viabilidade econômica para o cultivo em estufas. Paulus explica que culturas extensivas, como melancia, melão, moranga cabotiá, batata-doce e aipim, demandam custos elevados e grande escala produtiva para justificar o investimento.
Outro aspecto importante que vem sendo trabalhado em nível de extensão rural é o chamado Sistema de Plantio direto de Hortaliças (SPDH), focado na proteção permanente do solo e na promoção da saúde das plantas. Além disso, o uso de bioinsumos vem crescendo de forma significativa nos últimos anos, permitindo assim a redução do uso de insumos químicos e de custos e menor impacto ambiental. O conjunto de técnicas integradas de manejo contribui para a adaptação crescente da agricultura às oscilações climáticas que têm marcado o Estado nos últimos anos.

Outro destaque apontado pelo coordenador técnico é o crescimento das chamadas brássicas, família que reúne culturas como couve-flor, repolho e brócolis. O clima mais ameno dos Campos de Cima da Serra, por exemplo, favorece o desenvolvimento dessas espécies, consolidando a região como uma das principais produtoras do RS. Conforme Paulus, embora existam polos mais consolidados na Serra Gaúcha, nos Vales e na Região Metropolitana de Porto Alegre, a produção comercial está presente em todo o território gaúcho.

"A Região Metropolitana concentra alta produção de olerícolas, que abastecem a Ceasa, mas temos produção forte em várias regiões. Há cultivo de folhosas no Norte do Estado, produção de moranga na fronteira com o Uruguai e diferentes espécies na região de Santa Rosa, por exemplo", observa.

A Emater/RS-Ascar atua no fortalecimento da cadeia produtiva, por meio da assistência técnica às famílias. O trabalho envolve orientações sobre manejo, controle de pragas e doenças, planejamento da produção e estratégias de comercialização. Um dos focos da atuação é a chamada produção programada, que busca organizar o plantio em diferentes períodos do ano, de forma a garantir oferta contínua de produtos no mercado.

Além da assistência no campo, a Emater/RS-Ascar apoia e orienta os produtores que comercializam na Ceasa. Paulus destaca que a central de abastecimento exerce papel fundamental na regulação do mercado hortigranjeiro gaúcho. Segundo ele, cerca de 70% dos produtos comercializados na Ceasa são produzidos no RS, índice considerado relevante para o abastecimento regional.

As feiras do produtor também aparecem como espaços importantes para a comercialização e valorização da agricultura familiar. Presentes na maioria dos municípios gaúchos, elas aproximam consumidores e produtores, fortalecendo circuitos curtos de comercialização e incentivando o consumo de alimentos frescos.

O Levantamento da Olericultura Comercial do Rio Grande do Sul - 2025, realizado pela Emater/RS-Ascar em parceria com a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), revela a dimensão e a importância econômica da produção de hortaliças no Estado. O estudo reúne informações sobre a olericultura comercial gaúcha para subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas às diferentes cadeias produtivas do setor agrícola.

Conforme o documento, o Rio Grande do Sul contabiliza 50 espécies de olerícolas cultivadas, responsáveis por uma produção anual superior a 1,7 milhão de toneladas. O levantamento também evidencia a diversidade produtiva nas 12 regiões administrativas da Emater/RS-Ascar, reforçando o papel estratégico da agricultura familiar no abastecimento alimentar e na movimentação econômica regional.

A pesquisa foi desenvolvida a partir de um sistema eletrônico de coleta de dados, alimentado pelas equipes municipais e regionais da Emater/RS-Ascar, entre os meses de maio e julho de 2025. Foram registrados indicadores como área cultivada, produtividade, produção total e número de unidades produtivas, incluindo informações específicas sobre cultivos em ambientes protegidos, como estufas.

Segundo a Emater/RS-Ascar, todos os municípios gaúchos com produção comercial de olericultura participaram do levantamento, permitindo um retrato amplo e atualizado do setor. Além de mapear as principais culturas produzidas no Estado, o estudo apresenta os 20 municípios de maior produção de cada cultura, oferecendo um panorama detalhado da distribuição territorial da olericultura no Rio Grande do Sul.

Em relação às perspectivas para este ano, o extensionista avalia que as condições climáticas registradas até o momento têm sido favoráveis para a produção olerícola no Rio Grande do Sul. Embora exista preocupação com as previsões de excesso de chuva nos próximos meses, em função do El Niño, o cenário atual é considerado positivo para o desenvolvimento das culturas. "Até agora, o verão e o início do outono foram satisfatórios para a produção de hortaliças no Estado. Tivemos um clima favorável, com algumas variações pontuais, mas dentro da normalidade, o que vai garantir a manutenção do abastecimento", conclui.