Horário sem programação!

Saúde

Médica defende o tratamento precoce no combate ao coronavírus

  • 04/08/2020 - 21:34
Médica defende o tratamento precoce no combate ao coronavírus
Reprodução/Internet

Um assunto tem ganhado cada vez mais espaço em discussões sobre o combate ao novo coronavírus: o tratamento precoce à Covid-19. Aqueles que defendem essa medida afirmam que se trata da única forma de diminuir os óbitos pela doença. No entanto, muitos especialistas e entidades médicas criticam essas publicações e ressaltam que não há comprovações científicas da eficácia de medicamentos contra a doença.

A médica de família e mestre em imunologia pediátrica Valérie Noronha Menezes Kreutz tem se destacado entre os profissionais que defendem o tratamento precoce. Valérie, que atua em Porto Alegre e Osório, é uma das criadoras dos grupos de WhatsApp Covid-RS. Já são oito grupos, com cerca de 1,2 mil profissionais do Estado que discutem e compartilham casos sobre a doença causada pelo Sars-CoV-2.

Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta segunda-feira (03/08), Valérie disse que prefere citar nomes de medicamentos apenas em discussões médicas. Porém, em vídeos publicados no WhatsApp profissionais da área se mostram favoráveis ao uso de medicações como hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, zinco e vitamina D — que formam o chamado kit-covid — em pacientes com os primeiros sintomas da doença.

Muitos desses profissionais acreditam que é questão de tempo para que haja evidência científica sobre medicamentos como ivermectina e cloroquina no combate à covid-19. Eles costumam dizer que não é possível esperar que esses estudos fiquem prontos para que os medicamentos comecem a ser usados, pois argumentam que se trata de uma questão urgente.

A medida visa combater a circulação inicial do vírus no organismo, o que, segundo seus defensores, protegeria os tecidos pulmonares, nervosos e cardíacos.

O protocolo de tratamento, assinala Valérie, prevê o uso de um imunomodulador (medicamento que atua no sistema imunológico, responsável pelo combate a micro-organismos, como vírus, bactérias e fungos), associado a outra medicação, com ação antiviral.

— A hidroxicloroquina tem documentação de sua ação antiviral desde 2003. Todas as medicações propostas no tratamento precoce têm modelo teórico já descrito de alguma ação antiviral. O que se faz em medicina, quando há uma doença nova, é começar com observação e evoluir à melhor evidência para algo que ainda não tem tratamento. Hoje, é o que vemos na fase inicial dessa doença — diz Valérie.

Valérie disse que a grande avalanche de informações, ainda mais na era da internet, obriga os profissionais médicos a se atualizarem diariamente. Parte dos estudos analisados por ela ainda nem foi publicada em revistas científicas. Daí, acredita, surgem as discussões sobre validar ou não o uso de medicações nos primeiros sintomas da doença.

Uma das questões apontadas pelos especialistas contrários ao uso destas drogas é a falta de comprovação científica para os tratamentos. Segundo o Centro de Medicina Baseada em Evidências, da Universidade de Oxford, os níveis de evidência científica são divididos em quatro graus de recomendação, subdivididos em 10 níveis de evidência para tratamento, prevenção, causas da doença (etiologia) e diagnóstico. O nível 1A exige no tratamento, na prevenção e na etiologia a revisão sistemática (com homogeneidade) de ensaios clínicos controlados e randomizados. Também prevê no diagnóstico a revisão sistemática (com homogeneidade) de estudos de diagnósticos e critério diagnóstico de estudos, em diferentes centros clínicos.

A principal orientação das sociedades brasileiras da área da saúde, diante da ausência de um medicamento comprovadamente eficaz, é que o médico decida individualmente o tratamento que adotará, sempre citando os benefícios e riscos para o paciente. As medidas terapêuticas devem ser definidas conforme as necessidades e respostas de cada caso, sem que haja a imposição do uso de qualquer remédio.

Fonte: Redação