A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, ambos ocorridos na Praia Brava, em Florianópolis. Um adolescente foi apontado como autor da agressão contra Orelha, e outros quatro envolvidos foram identificados no caso de Caramelo.
A Polícia Civil pediu a internação provisória do adolescente apontado como agressor de Orelha. Ele é um dos que estava nos Estados Unidos durante parte das investigações. Nos dois casos, foi concluído que os jovens cometeram atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos. Orelha morreu em 4 de janeiro.
Os nomes, idades e localização dos suspeitos não foram divulgados pela investigação, tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos.
A Polícia Civil inicialmente investigava um grupo de quatro adolescentes suspeitos de ter agredido o cachorro. Na sexta-feira (30/02), um deles foi descartado da autoria após o inquérito concluir que ele não tinha envolvimento com os maus-tratos ao animal, que conforme o laudo pericial foi atingido na cabeça com um objeto contundente. A Polícia informou que analisava quase mil horas de gravações feitas por câmeras de segurança na região da Praia Brava no período das agressões.
Um dos desafios da investigação é a ausência de imagens do momento do espancamento. Conforme a polícia, registros de outros episódios na mesma região e período, que também teriam sido causados por adolescentes, ajudaram na investigação.
Três adultos, dois pais e um tio dos adolescentes investigados como suspeitos, também foram indiciados suspeitos de coagir uma testemunha durante a investigação do caso. Segundo a Polícia Civil, a vítima foi o vigilante de um condomínio, que teria uma foto que poderia ajudar a esclarecer o crime.
Há pelo menos 10 anos, o cão comunitário conhecido como Orelha morava na Praia Brava, em Florianópolis (SC). As pessoas do bairro se revezavam nos cuidados a ele e a outros dois cachorros. A Praia Brava fica no Norte da Ilha de Santa Catarina e é uma das atrações turísticas de Florianópolis. No bairro, há três casinhas de cachorro para os três animais considerados mascotes da região. Os moradores, ao encontrarem o cachorro ferido, ficaram chocados com a situação.
“Estava agonizando, a gente o recolheu, levou para o veterinário. Mas tinha sido completamente massacrado, né? Uma crueldade sem tamanho”, lamentou o empresário Silvio Gasperin.