Os visitantes que percorrem o Caminhos da Soja, uma das atrações permanentes da Emater/RS-Ascar na Fenasoja 2026, encontram um espaço expositivo que combina história, tecnologia e transformação social para retratar a trajetória da cultura da soja em Santa Rosa. Instalado no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, o ambiente convida o público a acompanhar, de forma didática, a evolução do cultivo e as mudanças sociais nas famílias rurais ao longo das décadas.
De acordo com a extensionista rural Leni dos Santos Froelich, a proposta do espaço é apresentar essa transformação por meio de três momentos simbólicos, representados inclusive por Âmesas postasÂ, que ilustram a composição familiar e a dinâmica do trabalho no campo. No primeiro cenário, predominam famílias numerosas, nas quais a mão de obra era essencialmente formada pelos próprios filhos e os pais, responsáveis por todas as etapas da lavoura, em um contexto de baixa tecnificação. Em seguida, já com a introdução de máquinas como tratores e trilhadeiras, observa-se a redução do número de integrantes nas famílias e o início da mecanização agrícola. No estágio mais recente, a realidade é marcada por núcleos familiares menores e pela forte presença de tecnologias avançadas, como sementes geneticamente modificadas, equipamentos e insumos de alta tecnologia, além de ferramentas digitais, como celulares, sistemas touchscreen e drones para aplicação de produtos. Ainda está representada a expansão e a variedade de usos da soja, desde a alimentação humana e animal, indústria farmacêutica e de cosméticos, produção de emulsificantes, borrachas, entre outros.
Além da representação visual, o Caminhos da Soja conduz o visitante por uma narrativa histórica que remonta à chegada das primeiras sementes ao município, em 1924. Entre as décadas de 1920 e 1950, a cultura ainda era incipiente e o trabalho, predominantemente manual, exigia esforço intenso das famílias, com uso de ferramentas simples e tração animal. Esse período lançou as bases de uma atividade que, mais tarde, se consolidaria como uma das principais da região.
O segundo momento da exposição aborda a expansão da soja como commodity e destaca iniciativas fundamentais para o desenvolvimento sustentável da atividade, como a Operação Tatu, conduzida pela Emater/RS-Ascar. A ação teve papel decisivo na conservação e fertilidade do solo, ao orientar produtores sobre práticas adequadas de manejo, salientando a importância de tratar a terra como um patrimônio. Paralelamente, a mecanização e a introdução de novas variedades e insumos impulsionaram a produtividade, contando com a Assistência Técnica e Extensão Rural (Aters) como elemento estratégico no campo.
No espaço dedicado ao presente, o destaque é a inovação aliada à sustentabilidade. A biotecnologia, a automação e as parcerias entre instituições públicas e privadas, assim como de centros de pesquisa, evidenciam um cenário em que a produção busca ser cada vez mais eficiente e resiliente. Nesse contexto, a família rural assume um perfil mais técnico, com gestão profissionalizada e foco na preservação dos recursos naturais para as próximas gerações. Além disso, é lembrada a importância de políticas públicas como as coordenadas pelas secretarias estaduais de Desenvolvimento Rural (SDR) e de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Ao final do percurso, o Caminhos da Soja mostra que a evolução da cultura vai além dos avanços produtivos. "A trajetória do grão está diretamente ligada à transformação das famílias, ao desenvolvimento tecnológico, ampliação do conhecimento e ao fortalecimento das comunidades locais. De práticas rudimentares às tecnologias de ponta, a história da soja em Santa Rosa revela um processo contínuo de adaptação e desenvolvimento, que impacta não apenas a economia, mas também a qualidade de vida no meio rural", observa Leni.
As informações são da Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar na Fenasoja